O perigo do volume alto: Entenda a relação entre fones de ouvido e surdez
Desde a popularização de dispositivos portáteis, o uso de fones de ouvido se tornou parte do cotidiano de muitas pessoas. Seja no transporte público, em casa ou no trabalho, a música e outros sons nos acompanham. No entanto, a busca por uma experiência sonora intensa, com volumes muito elevados, pode trazer consequências sérias para a nossa audição, culminando até mesmo em perda auditiva.
Como o som alto afeta a sua audição?
O aparelho auditivo humano possui estruturas delicadas, como as células ciliadas, responsáveis por transformar as ondas sonoras em impulsos elétricos que o cérebro interpreta como som. A exposição a barulhos acima de um certo limite de intensidade e por tempo prolongado pode danificar essas células.
Quais são os limites seguros?
Especialistas indicam que o ouvido humano suporta cerca de 60 decibéis (dB) durante, no máximo, 60 minutos a cada período de 24 horas. Ultrapassar esses limites, especialmente com sons mais intensos, é prejudicial. Um alerta importante é que alguns modelos de fones de ouvido, especialmente os intrauriculares, podem amplificar a intensidade do som em até cinco vezes, tornando o risco ainda maior.
Perda Auditiva Temporária e Irreversível
Em situações menos graves, a exposição a ruídos altos pode causar uma perda auditiva temporária, conhecida como fadiga auditiva. O ouvido fica “irritado” e menos sensível. Se não houver um período de descanso adequado após essa exposição, os danos podem se tornar permanentes. O problema se agrava porque, ao perceber uma diminuição na audição, muitas pessoas tendem a aumentar ainda mais o volume, criando um ciclo vicioso que leva à lesão das células auditivas mais resistentes.
Zumbido: Um sintoma de alerta
Um dos primeiros sinais de que a audição pode estar comprometida é o zumbido, aquela percepção de um som que não existe no ambiente – um chiado, um apito, um “grilo”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de brasileiros sofrem com esse incômodo.
É fundamental entender que o zumbido não é uma doença em si, mas um sintoma. Ele pode ter diversas causas, incluindo a exposição a ruídos intensos, mas também problemas metabólicos, como anemia, ou má alimentação. Se a causa for metabólica, o zumbido pode ser reversível com tratamento adequado. Contudo, se estiver relacionado a danos nas células auditivas, a lesão tende a ser irreversível.
Prevenindo a perda auditiva: Dicas práticas
A relação entre a intensidade do ruído (em decibéis) e o tempo máximo de exposição segura é um fator crucial para a saúde auditiva. A regra geral é que, para cada aumento de 5 dB, o tempo máximo de exposição segura é reduzido pela metade. Por exemplo:
- 90 dB: Até 8 horas de exposição.
- 95 dB: Até 4 horas de exposição.
Para aproveitar sua música e áudios com segurança, considere estas recomendações:
- Evite usar fones para “bloquear” ruídos externos: Em ambientes barulhentos como ruas ou transportes públicos, a tendência é aumentar o volume para compensar o ruído ambiente, o que é extremamente prejudicial.
- Prefira fones circumaurais (de concha): Esses modelos cobrem a orelha e oferecem melhor isolamento acústico, reduzindo a necessidade de aumentar o volume. Evite os modelos que se encaixam diretamente no canal auditivo, se possível.
- Cuidado em ambientes externos: Nunca use fones de ouvido enquanto caminha na rua, especialmente em locais com trânsito. A audição é um dos sentidos que nos dão a percepção do espaço e nos alertam sobre perigos.
Preservar a sua audição é essencial para a qualidade de vida. Se você percebe qualquer alteração auditiva ou sente zumbido, não hesite em buscar ajuda profissional.
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Referências:
- Organização Mundial da Saúde (OMS)
- Professor Manoel de Nóbrega (Unifesp)
- Dra. Mara Edwirges Rocha Gandara (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia)




